quinta-feira, 26 de agosto de 2010

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...And they lived happily ever after

(Ils se marièrent et eurent beaucoup d'enfant, 2004) 



Ahh, querida Charlotte Gainsbourg, esplêndida e radiante.

Mais um filme drama/romance que não consegue explicar os dilemas que o amor apresenta. Por que uns amam à uma única pessoa e por que outros conseguem amar várias? Por que os que amam somente uma pessoa querem ser igual ao que ama várias? E por que o que ama varias quer ser o que ama apenas uma?

A diferença é que esse não é SÓ mais um filme com esse tema: sem grandes pretensões, mas profundo e longe de ser um filme fútil. Uma edição miraculosa, um roteiro sem deslizes, com um toque peculiar de humor, banhado por uma trilha sonora "so fucking good".


Radiohead - Creep (quer mais?)


terça-feira, 10 de agosto de 2010

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Ondas do destino

(Breaking the waves, 1996)



Milagres existem? E Deus?
Perguntas que não terão respostas, somente mais perguntas, quando analisadas por "Ondas do destino". O filme cria dilemas científicos e religiosos, utilizando a personagem principal como "cobaia".

A história gira em torno de uma mulher, deixando claro logo no começo do filme, que sofre algum tipo de deficiência mental, ela que pretende se casar com alguem de fora de seu vilarejo, constituidos por religiosos e machistas, assim dizendo. Depois de casada, seu marido volta para a plataforma de petróleo, e sofre um acidente que o deixa paralisado do pescoço para baixo. Então, o mesmo pede um favor para sua amada: sair com mais homens e contar-lhe como que foi, para se sentir ativo.

Bess, a carnificação de Maria Madalena: depois de muito choro e euforia, Bess tenta com todas as forças cumprir o desejo do marido, colocando-a assim contra seus principios morais e religiosos, de certo e errado, perante as leis da igreja. Assimila-se a história de Bess com Maria Madalena, pelo fato de ambas sofrerem injustiças de homens que pensam poder julga-las em nome de Deus.

Deus, correto ou não, e os homens: Inerente à Bess, quando a mesma começa a conversar com o "todo poderoso", ele a responde, porém, com Bess fazendo e narrando a voz de Deus. Um Deus cruel e miraculoso ao mesmo tempo, que atende desejos mas sempre leva algo em troca.
Sem concretizar uma critica destrutiva sobre a igreja, Lars Von Trier analisa de perto as rígidas decisões tomada pela igreja contra uma "pecadora" e sua punição. Homens que julgam quem vai para o inferno ou não, sem compaixão, piedade ou perdão.

Igreja medieval e os milagres divinos:  uma igreja onde as mulheres não tem o poder da palavra, do expressionismo. Uma igreja onde a palavra é seguida ao pé da letra e onde não há espaço para perdoar o pecado e as transgressões religiosas; Um vilarejo onde renasce com os principios medievais, sem chance de redenção.
E os milagres, existem ou não? A dúvida maior do filme são os pedidos de Bess "atendidos" por Deus, mas que sempre deixam sequelas. O questionamento decorrente do filme, que transforma Deus em um vilão, contra os pedidos tristes e amargurados da Maria Madalena moderna.

Um filme injusto sobre um tema polêmico, dirigido com destreza e seriedade por quem realmente entende de cinema; Lars Von Trier.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

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Taxidermia

(Taxidermia, 2006)


Peço à todas as crianças, pessoas hipertensas e de estômago fraco para clicarem em fechar essa página.

 Baseado em histórias do autor Lajos Parti Nagy, o roteiro desse filme não é nada simples; desde à sua narrativa que percorre três gerações sanguinias (avô, pai e filho) até suas secas e grotescas imagens, que variam de vômitos, competições alimenticias e... ejaculação de fogo. 

A Primeira história acontece na primeira guerra mundial, com um recruta que mais parece faxineiro, sofrendo abuso de um tenente. À noite, alimenta seu anseio sexual se masturbando com as imagens das filhas e mulher do tenente por um buraco que dá no banheiro.
A segunda história é sobre Kelman, filho de Morosgoványi, que nasce com um rabo de porco. Quando cresce vira um "atleta alimentar", que compete em festivais de quem come mais sopa, ou biscoitou, ou bolo... É apaixonado por uma mulher, tambem atleta alimentar, qual gera seu filho, a terceira geração da história.
A terceira parte, é quando o título faz efeito no longa. Conta a história do filho de Kelman, que trabalha empalhando animais, domésticos ou não; cuida de seu pai, que de tão obeso não consegue levantar da cadeira, e de três gatos enormes (realmente enormes).

A três história são ligadas, além da conexão de sangue, pelo culto ao corpo, de forma diferente. O soldado que se masturba frequentemente, com o sonho de um dia ejacular fogo; o "atleta" que leva seu peso e capacidade de comer kilos, como um troféu; e por último, o taxidermista, que para se tornar eterno, se auto-empalha, se transformando numa amostra carnal de uma estátua com referências à estatua de Michelangelo.

O estilo de taxidermia, já faz do diretor György Pálfi, um cineasta único. Com imagens grotescas, beirando o ridiculo, ele consegue ao mesmo tempo mostrar de forma visualmente poética, a natureza cruel do ser humano, transcorrendo surrealismo com fatos históricos.

Com toques de humor negro e terror psicológico, mesmo sendo de dificil digestão, o filme é um relógio hipnótico: você (mesmo depois da cena de sexo com a leitoa; ou os jatos de vômitos) não vai conseguir desgrudar os olhos da tela.

 A edição, fotografia e direção de arte é um fator positivo, manejados por mãos que sabem fazer magia. Mãos que transformam carne e sangue, em algo belo.Tudo seguido por uma trilha sonora cativante de Amon Tobim, que por curiosidade é nascido no Rio de Janeiro.

Longe da primeira impressão do filme, Taxidermia é algo inusitado, intelectual e anexo de uma complexidade fantastica, principalmente a última história, a mais perturbadora, na minha opnião. As três histórias contadas no filme, vão se hospedar em tua mente, e vai ser dificil despeja-las.



sábado, 7 de agosto de 2010

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Uma relação pornográfica

(Une liaison pornographique, 1999)


Ahh o cinema francês; cinema qual me encanta com seus diálogos e situações poéticas.

Diferente do título, "uma relação pornográfica" não tem nada de pornográfico. Bom, nada explicito e "escancarado", assim dizendo. O filme se constrói em torno do que parece ser um documentário, entrevistando uma mulher e um homem, em lugares diferentes. Eles contam para o entrevistador como que foi a experiência de nutrir um relacionamento por um anúncio em uma revista.

Com uma direção madura, o filme vai crescendo, não nos cenários ou situações, mas sim nos diálogos. O filme todo é passado em dois lugares: onde eles se encontram, uma espécie de bar; e outra num quarto de hotel, onde fazem amor todas quintas e sábados (se não me engano). Com o passar do tempo, os sentimentos de ambos vai mudando e o que era pra ser somente um relacionamento sexual, acaba se tornando mais forte.

Essa transição de emoções nos coloca perante duas pessoas que com o tempo, se apaixonaram. E dae em diante aparece o vilão da história toda: o amor. O medo de construir alguma coisa séria, derrama várias lágrimas dos personagens, que sucessivamente discutem e ameaçam romper relações.

O amor, como em vários filmes, é um sentimento forte e confuso, nesse filme também. Digo por uma cena, que mexe com os personagens: Um velho sofre um ataque cardiaco e morre. Ele pede para não chamar sua esposa, mas o hospital, seguindo as normas politicamente corretas, chama-a assim mesmo. Assim que a velha chega, ela começa a contar a história do velho, falando que ele a traia e tudo mais, e mesmo assim, ela o amava. Por fim, ela diz que vai cometer suicidio.

Sem melodrama ou romance forçado, "uma relação pornográfica" se mantem firme e forte, por seus 80 minutos de filme. Além de ser um prato cheio para os cinéfilos que apreciam um bom filme francês, agrada também aqueles que gostam de uma boa e construtiva conversa entre "marido e mulher".


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

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Exame

(Exam, 2009)
Até onde você iria; Oque você faria; Como você faria; Você mataria pelo emprego dos sonhos? Perguntas colocadas em prática em Exam, filme do novato Stuart Hazeldine. Em uma sala, 8 candidatos à um emprego em uma empresa que ninguem sabe ao certo qual, recebem instruções sobre como proceder nessa nova etapa da seleção. Na verdade, a única coisa que fica clara na explicação do "vigilante" é: Há uma questão e uma resposta. A partir disso, freneticamente, os candidatos se unem para descobrir qual é a maldita questão, que esta implicita em algum lugar.

Criar um círculo de confiança nos filmes é uma coisa confusa e que sempre gera tensão e paranóia. No caso de Exam, os 8 candidatos concorrem a uma única vaga de emprego e mesmo assim, trabalham em equipe. Ja era de se esperar muitas intrigas, mentiras e jogos psicológicos, desde que o filme se passa TODO dentro de uma única sala.

O legal do filme são os diálogos, que ao longo do filme, te colocam no exterior da sala, mesmo sem sair da sala. Como o telespectador não conhece nada dos personagens, a única coisa que aguça a curiosidade sobre suas vidas é a palavra do próprio personagem. Ou seja: se ele falar que é psicólogo, pode ser verdade ou não, quem sabe ao certo? Questão fundamental que desenrola o filme todo, cheio de incoerências de personalidade.

Referência de "Cubo" e "Jogos mortais" são totalmente visíveis no filme, só que sem a violência de ambos. Exam brinca mais com o psicológico acima de tudo; brinca com a desconfiança, inimizade, misturado com o clima de intrigas e cheiro de mentiras.

Exam tem uma única questão que esta totalmente na nossa frente ao mesmo tempo que não. Logo no começo, se você for muito atento mesmo, a resposta para a tal pergunta se mostra visivel. Confuso, claustrofóbico, paranóico e divertido, o filme se alastra pelos 80 minutos de pura tensão e desconfiança.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

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Mr. Vingança

(Boksuneun naui geot, 2002)



Quando eu vi "Old Boy", contestava, mesmo sem saber, que não teria como os outros dois filmes da trilogia da vingança, ao menos chegarem aos pés do mesmo. Agora que eu terminei de ver a trilogia, vejo que estava errado. Falar: "Esse filme foi um soco no estômago" não se enquadra em Mr Vingança; a sensação predominante no filme é de uma facada na testa, mesmo.

Sua irmã precisa de um transplante de rim, urgente. Sem doadores compatíveis, Ryu recorre ao mercado negro, que, o engana e ainda levam seu rim. Então que ele e sua namorada ativista decidem sequestrar a filha de um poderoso empresário, para obter dinheiro o suficiente para "subornar" um médico em troca de um rim, para sua irmã. Paro de contar o filme, que daqui em diante a trama fica (mais)construtiva e, qualquer deslize que eu der, vira spoiler.

Não só na trilogia, como na maioria (se não em todos) de seus filmes, Chan-wook park diferencia o personagem principal com uma caracteristica exótica, bem chamativa. No caso de Lady vingança, as sombras dos olhos, cor vermelho sangue; em Old Boy, o personagem em si (quem assistiu entende); agora, em Mr. vingança, o personagem principal tem cabelos verdes... e é surdo-mudo.

Forte e violento, Mr vingança abre a trilogia, mostrando que a vingança não é fria; Ao contrário, é quente, até demais; Prepare-se para sofrer junto com os personagens do filme.  A dor psicológica que Ryu sofre no filme é angustiante. O ator Shin Ha-Kyun, que até então eu desconhecia, da um show de apresentação, mesmo seu personagem sendo surdo-mudo. Pensar que interpretar um surdo-mudo é tarefa fácil, chega a ser burrice, desde que suas expressões de sofrimento, alegria, insatisfação e tudo mais, vão ser bem mais cobradas que o normal, e nisso, Ha-Kyun não peca; transpareceu muito bem os sentimentos do seu personagem.

O roteiro te pega desprevinido, e quando você menos espera, algo que provavelmente deixará queixos caídos, acontece. A essência de Chan-wook park é essa: o conhecer do imprevisivel. Em todos seus filmes, é impossivel prever oque vai acontecer na próxima cena. Essa jogada de roteiro, que acaba prendendo a atenção o filme todo, me lembra muito a direção dos Coen, que também brincam com o desenrolar do roteiro de uma maneira imprescindivel.

Ainda no assunto direção; As tomadas de Mr Vingança aguçam a curiosidade, nervos e ansiedade do telespectador. Principal exemplo disso é nas cenas que Chan-wook park filma um personagem, mas o enfoque da história esta em outro personagem em paralelo com a câmera, oque nos deixa sem saber oque esta acontecendo ao certo. Tudo isso recheado com cenas triste e/ou fortes, atmosfera tensa e até algumas tiradas de humor negro, que na verdade, não conseguem tirar o peso que o filme proporciona sobre quem o assiste.

Mr vingança abriu a trilogia da vingança; old boy deu continuidade e lady vingança a fechou. Agora, falar qual dos três é o melhor, é uma tarefa impossivel, ao meu ver. São três tipos de vingança diferentes: Lady vingança fala da vingança em busca da redenção. Old boy fala da vingança em busca de respostas. Mr vingança fala de vingança átras de vingança; Mostra que no mundo da vingança, não há o certo e o errado, o mocinho e o vilão. Acho que esse é o ponto forte de Mr vingança: mostrar de forma crua que a busca pela vingança é um círculo sangrento, sem garantias; onde mesmo você sendo bom, pode se tornar mal, e por fim, nada vai acabar bem.