Vi ontem Winter's Bone (2010) da diretora Debra Granik, o título ainda sem tradução para o português (corrigindo, a tradução ficou como Inverno da Alma).
O filme conta a história de Ree Dolly, uma jovem de 17 anos que toma conta de dois irmãos menores e de sua mãe doente. Seu pai, preso por tráfico de drogas, deu a casa como garantia da fiança e desapareceu. Agora, ele é esperado para uma audiência e, se não comparecer, Ree e sua família perderão a casa.
A família sobrevive com a ajuda de vizinhos, e entre cuidar dos irmãos e arrumar provisões para o inverno, Ree parte em busca do pai para não perderem a casa. Para obter informações sobre seu paradeiro, ela precisa se meter entre a máfia que domina o local. Em cada porta que bate, recebe a mesma advertência: ou ela desiste ou estará em grande perigo.
A novata Jennifer Lawrence arrasa no papel, que pode dar a ela uma indicação para o Oscar 2011. É bom ver que a geração de atores teens não se resume ao elenco de Crepúsculo ou aos "astros" da Disney. Outra atuação marcante do filme é o ator John Hawkes, que interpreta Teardrop, tio da garota.
O lugar é uma região rural empobrecida das montanhas. O clima do filme é pesado e cinzento, como os dias que antecedem o inverno. Todos parecem estar envolvidos com o tráfico de drogas, fazendo dessa a principal atividade do local. Ree parece ser a única que permanece incorruptível, luta até o fim para proteger sua família e mostra que mesmo num ambiente onde tudo leva ao caminho do crime, é possível fazer a escolha certa.
Um suspense barato, com um roteiro fraco e cenas que não assustam... Assim resume-se "Devil" do diretor John Erick Dowdle, escrito e produzido pelo "cara das bolas foras" M. Night Shyamalan.
A história é simples: Cinco pessoas ficam presas no elevador; uma delas é o diabo. Simples assim. Claro que o filme não fica só dentro do elevador: por fora, um detetive tenta relacionar esse acontecimento com um homicidio que aconteceu mais cedo, no mesmo prédio.
Mesmo com a trilha sonora incessante, "Demônio" não consegue criar uma cena boa de suspense, do tipo: "putz, nunca imaginei isso". E nem deve ser levado a sério, digo isso por um simples fato: um mexicano que trabalhava na segurança do hotel, começa a desconfiar que o diabo esta no prédio, e para defender sua teoria de que quando o chifrudo esta por perto, tudo tende a dar errado, ele pega uma torrada (com geléia ou não) e joga no chão. A torrada cai com a geléia pra cima: "Não disse! A torrada sempre cai com o recheio pra baixo". Essa é a explicação do cidadão...
Os atores, que até então eu desconhecia a maioria, não tem simpatia com a câmera. Parece que estão sendo forçados a fazer o filme. Em meia hora, você espera que o diabo apareça logo e leve todo mundo pros quintos.
Ja não era de se esperar muita coisa do filme, afinal, além do M. Night Shyamalan no roteiro (que ultimamente só vem soltando bombas), o diretor aqui é o mesmo que dirigiu a versão americana de Rec, "Quarentine". Isso mesmo, aquela versão medíocre do filme espanhol.
Qualquer um que esteja procurando um filme de terror pra assistir numa sexta-feira a noite, para sentir aquele frio na barriga, tomar aquele susto de tirar o fôlego... deve passar longe de Demônio.
Obs: Pela temática, o filme teria que causar uma sensação claustrofóbica no espectador nos oitenta minutos de projeção,mas não teve êxito. Pra comparar, vou mostrar um curta antigo, do diretor do cubo, Vincenzo Natali. Em vinte minutos, ele consegue criar uma atmosfera paranóica e tensa, coisa que "Demônio" não conseguiu nem um pouco.
Um filme simples, Julia no seu estilo comum porém sem perder o brilho, cenários incríveis num filme que particularmente mexeu comigo. Nem estou citando de forma cinematográfica, mas o fator aqui é de compatibilidade.
Quem não se identificar com este filme considero esta pessoa incrivelmente feliz.
Já citei uma vez o que representa felicidade para mim e normalmente o que faz minha felicidade são coisas simples sem qualquer ideologia como: sorrir, dançar loucamente, tomar banho de chuva, comer chocolate e a lista segue em itens tão comuns que você, caro leitor um pouco mais adulto pode considerar o mais puro clichê, mas digo não. No entanto concordo que todos estes fatores não são o suficiente.
Acredito que nunca ninguém estará satisfeito com a tão sonhada felicidade total, mas acho que alguns encontram métodos mais fáceis que outros para chegar no tesouro no final do arco-íris.
O que não é o caso de Elisabeth (Julia Roberts) que não vê sua vida completa após o casamento, que pensava que fosse o caminho. Confusa tentando se encontrar e viver a vida Elisabeth resolve viajar sozinha para três lugares: Itália, Índia e Bali. Este último porque seu guru pediu que se reencontrassem por ali.
Um filme baseado numa história real e num best seller que envolve o questionável e típico desastre da natureza humana. O que preciso para ser feliz?
Acredito consideravelmente que comida, orações e amor com certeza não são o suficiente para ninguém ser feliz, e se você assistir o filme esperando por respostas para a felicidade vai ouvir uma grande buzina bem alta sinalizando o grande erro, pelo simples fato da felicidade não ter resposta, é uma busca que não vai acabar nunca, mas lembre-se das coisas simples, lembre-se que após um casamento virão mais possibilidades de felicidade e infelicidade também, depois da faculdade virão novas obrigações, após subir num cargo mais responsabilidades surgirão e a cada dia após acharmos que descobrimos algo realmente concreto, alguma experiência fará tudo cair por terra, mas lembre que a resposta depende de cada um e do ponto de vista de cada um em como solucionar tudo, ou tornar tudo mais agradável e menos fatídico, como disse o filme é só uma questão de identificação.
Comer, rezar, amar são ferramentas que Elisabeth achou e utilizou, ache a sua também assim como vou tentar achar a minha. E depois de descobrir pare, respire e continue, dizem que a jornada da vida é longa, e particularmente acho encantadora.
A combinação criança + guerra é receita de sucesso de muitos filmes. E se você for ver um filme que tenha essas duas palavras na sinopse, pode ter certeza: você vai chorar no final.
O Cemitério dos Vagalumes (Hotaru no Haka - 2008) não foge dessa linha. A história acontece no Japão, em 1945, pouco antes de sua rendição aos Países Aliados. Após a morte da mãe em um bombardeio, Seita (14 anos) e sua irmãzinha Setsuko (4 anos) partem para a casa de uma tia, que os recebe somente pelo interesse nos mantimentos que os dois carregam. Quando a comida acaba, os dois partem para viver à própria sorte.
Em 1988, essa mesma história foi contada na animação O Túmulo dos Vagalumes, baseada no livro semi-autobiográfico do autor Nosaka, em homenagem à sua irmã, que morreu de desnutrição em 1945. Ele então escreveu a história para tentar amenizar a perda, pela qual se culpava.
O filme e a animação contam a mesma história, porém a sensação após o término é completamente diferente. O filme é mais "seco" e trás uma sensação negativa, depressiva, enquanto a animação, que começa "pelo final", é mais sensível e poética, e deixa uma sensação de esperança.
Tanto o filme quanto a animação são excelentes. Seita é um jovenzinho forçado a abandonar a infância para assumir a missão de tomar conta de sua irmã, sua única razão para continuar vivendo. A menina age exatamente como uma criança de sua idade: ela abre o berreiro quando quer, seja de sono, fome ou por não conseguir abrir a latinha de balas que carrega, brinca e se diverte com coisas simples.
No que diz respeito à ação, não espere muita coisa. O foco não é a guerra, e sim a fragilidade da vida e da juventude. O que mais comove é o fato das crianças não serem vítimas somente da guerra, mas principalmente da indiferença e da falta de compaixão dos adultos.
Trailer do filme O Cemitério dos Vagalumes (2008):
Trailer da animação O Túmulo dos Vagalumes (1988):
Sem grandes expectativas, fui ver "Minhas mães e meu pai". Vi vários comentários, alguns positivos, alguns negativos, isso me deixou curioso, e só. A premissa do filme chama atenção, por se tratar de uma minoria injustiçada: os homossexuais. Trata-se de um casal de lésbicas que tem dois filhos, do mesmo doador de esperma. Dezoito anos depois, os filhos decidem conhecer seu gerador. E esse é o começo do filme.
Um filme desse gênero só podia dar certo com uma mulher na direção. Quem assume por aqui é a pouco conhecida, também roteirista, Lisa Cholodenko, que deixa a película neutra, assim como o doador de esperma, interpretado por Mark Ruffalo, que não mostra nada de diferente do que ele ja mostrou em outros filmes. Agora, as mães, interpretadas por Juliane Moore e Annete Benning, merecem uma salva de aplausos.
É dificil falar sobre "Minhas mães e meu pai", pois, mesmo sendo "diferente", se fossem usados casais tipicos (homem e mulher), a pelicula correria da mesma maneira. Acho que por isso o filme não tem tanto destaque, faltou alguma coisa. O mesmo acontece com o desfecho final do filme, que podia trazer alguns suspiros para a platéia, mas acaba caindo na mesmice de sempre.
"Minhas mães e meu pai" se mostra simples e correto, mas quando acaba, sentimos que faltou algo. Algo que podia ter feito toda a diferença, e talvez por isso, o filme acaba não sendo tão grande quanto deveria.
Destaque para a trilha sonora, composta por MGMT, Cansei de ser sexy, David Bowie e muitos outros.
.. mas o que eu fiz no cinema foi "comer, bocejar e dormir".
O filme é baseado na experiência de vida de Elizabeth Gilbert, que logo em seguida escreveu um livro que vendeu mais de 4 milhões de cópias. Conta do dia em que Lizz não se sente mais feliz, não consegue se "encontrar", então, logo após divorciar-se, sai viajando por um ano com destino à Itália, Índia e Indonésia.
Tudo bem, parece ser uma história legal para ser contada em um livro, mas passado para as telonas, ficou tão desnecessário quanto gravar um novo Batman em 3D. A narração do filme cansa, a trilha sonora, como meu amigo me disse em um momento do filme: "Que trilha sonora chata! Me dá sono." e eu respondi: "Não é só a trilha sonora que esta me fazendo dormir." e a Julia Roberts ta precisando de um descanso, por que olha, não gostei nada do que eu vi por parte dela. Certa hora até confundi com a Sandra Bullock, desde que as duas são atrizes, um tanto quanto regulares, não conseguem mudar de expressão de filme para filme; são sempre os mesmos rostos.
Paguei o ingresso por um nome: Javier Bardem; e para o meu desprazer, o ator só aparece nos últimos minutos de filme. A fase do "amar" foi tão curta que o ator não teve espaço para demonstrar muita coisa.
Outra coisa que me inquietou de verdade, talvez por eu ser um pessimista de carteirinha, foi o fato de todos que Lizz conhece serem pessoas simpáticas e sempre dispostas a ajuda-la. E todos falam inglês. Olha, vou perguntar: "Pra que mundo você viajou? Por que né..."
Assumo que em certas partes do filme eu dei aquela risada breve, tão breve que os músculos faciais quase não se mexiam. Então eu tive que aguentar duas horas na cadeira, quase morrendo de tédio. E o que me perturbou, foi meu amigo dizendo: "Esse filme só serve para mulheres!" e logo em seguida, percebi que todas as mulheres, na saída do cinema, faziam comentários maravilhosos, como se o filme fosse uma obra de arte. Vou dizer pra vocês: não é uma obra de arte, e esta a quilômetros de ser. Então, para os mais críticos do gênero, passem longe.
Até esses dias, Kick-ass e Machete eram os filmes mais divertidos do ano, pra mim. Depois de ver Scott Pilgrim, percebi que estava errado, e esse sim, é o filme mais divertido e engraçado do ano. E vai ser difícil lançar algum que tire ele dessa posição.
A história, adaptada do HQ escrito por Bryan Lee O'Malley, narra a vida de Scott Pilgrim, que toca baixo em uma banda chamada Sex bob-omb, totalmente sustentado pelo seu amigo gay (qual até dividem a mesma cama) e mora em Toronto. Scott logo se apaixona pela garota mais "descolada" que acaba de se mudar pra cidade, Ramona. O que Scott não sabe é que pra ficar com a garota, ele vai ter que enfrentar os sete maléficos ex-namorados de Ramona.
Pra quem não viu a Hq, como eu, vai achar, pela sinopse, que não passa de mais um filme direcionado pro publico adolescente atual. Mas é bem diferente disso. Scott Pilgrim vai alegrar não só o publico adolescente, mas os geeks (que provavelmente já conheçam algo sobre a adaptação), principalmente, por suas referências aos quadrinhos e games.
As referências são visiveis, como quando Scott disputa com um ex-namorado, aparece um VS, indicando o combate; ou até mesmo a derrota de um ex-namorado, que logo se transforma em moedas. Até as musiquinhas que tocam no Zelda, quando Link encontra itens ou baus, tocam no filme; maravilhoso.
A edição é miraculosa. Uma das mais perfeitas que eu vi esse ano. As cenas de batalha, os cortes rápidos e alguns outros fatores, fazem do filme a adaptação mais divertida ja criada. O diretor de Scott Pilgrim é Edgar Wright ( o mesmo que dirigiu "Hot fuzz", "Shaun of the dead" e o fake trailer "Don't", que passa no projeto "Grindhouse" de Tarantino e Rodriguez.), o que explica muita coisa.
Michael Cera que estava muito bem em "Superbad" e "Juno", convence bastante como Scott Pilgrim, tambem. Não só Michael Cera como os outros personagens. É dificil não criar simpatia com a "Sex bob-bomb" ou com o amigo gay de Scott, interpretado por Kieran Culkin, que rouba a cena várias vezes.
Quando a projeção do filme inicia, a sensação que temos é de ter ligado um nintendo, e isso fica claro assim que o logo da Universal aparece em 8 bits. Depois disso, as referências aos jogos antigos são muitas, mesmo.
Para os geeks que ainda jogam Zelda, Super Mario, arcades e sabem que o símbolo "X" no braço de Scott é o mesmo do X-men, Scott Pilgrim pode entreter demais. Agora se você é dessa galerinha nova que acha pac-man uma perda de tempo, Far cry o melhor jogo já criado e pensa que Ben 10 é a maior curtição, acho melhor nem passar perto de Scott Pìlgrim, pois não vai entender metade das referências que o filme faz.
Obs: Só não entendo o por que de Scott Pilgrim não ter feito tanto sucesso quanto merecia, em sua estréia.